quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Entendi

Eu entendi.
Segregada pela devastador escuro da solidão.
Eu era diferente.
Esse era meu erro.
Não tinha cabelo liso.
O 42 já não cabia há muito.
Eu não gostava de meninos.
A exclusão me caía bem. 
Culpa minha se eu não podia viver em salão.
Culpa minha se eu não passava na roleta. 
Culpa minha se as meninas me interessavam mais.
Escolhas minhas, não nego.
Tenho que conviver com isso. 
E se meus direitos eram tirados.
Fazer o quê?
Culpa minha não lutar por eles. 
Se me apontavam o dedo por onde eu ia.
Culpa minha não querer mudar. 
Ninguém pode me ajudar. 
A culpa é só minha. 
Genuinamente
Historicamente
Solidariamente
Assumidamente
Minha.
De mais ninguém.

Rafaella Brito

sábado, 25 de maio de 2013

A despensa

Uma vez, não me lembro bem quando, talvez há uns 10 anos, meu pai ficou desempregado e precisamos nos virar nos 30, sabe como é né? Escola particular e curso de inglês com boletas para vencer e proprietários que não estavam nem um pouco preocupados com nossos problemas momentâneos. E daí? O que você tem a ver com isso também, né? O que eu quero dizer, começa mais ou menos assim: Nessa época, só quem esteve do nosso lado para amparar, foi nossa família, a primeira, a de sangue, e a segunda, que escolhemos ou que nos escolheram. Mesmo, sei lá, com 400 amigos no MSN ou 800 no Orkut, ninguém fez nada por nós, algumas poucas pessoas ainda tiveram a sensibilidade de afirmar “qualquer coisa, estou aqui”, mas a verdade bem verdadeira é que elas não podiam fazer nada, os laços delas conosco, na maioria das vezes, não passam de uma forma de acabar com nossa carência por mídias sociais, não passam de curtidas ou compartilhamentos, é só isso, e é pra ser assim. Até porque imagina ter, no mundo real, 484 amigos? São 484 aniversários para ir, 484 bodas, imagina, com toda a força da sua imaginação ter que, toda vez que fizer uma festa, ter que reservar um espaço para, NO MÍNIMO, 484 pessoas. Imagina, então, ter 484 pessoas para consolar em momentos ruins ou para comemorar junto, em momentos felizes, ou até mesmo ter que contar para 484 pessoas que recebeu uma promoção ou que sua vó faleceu? Felizmente, nós não queremos isso, porque isso nos faria deixar de sermos nós, afinal, quando teríamos tempo para gastar atoa no shopping ou em casa mesmo? Estaríamos mais preocupados com o que dar de presente ou com que roupa ir ao evento do amigo do que em criar nossa própria identidade, nosso próprio caminho. Então, não temos porque exigir dos nossos amiguinhos de Face mais do que serem amiguinhos de Face, ou de twitter, ou de qualquer outra coisa do tipo. Nós sabemos quem podemos contar, quem está na nossa vida, de verdade, para sempre ou por um momento, mas quem está lá, enxugando as lágrimas, fazendo um brinde ou apenas indo para a noitada. Existe, sim, um tipo de amigo para cada situação, e alguns poucos que estão em todas as situações, esses são raros. Não nos deixemos levar pela banalidade do virtual. Nem sempre, quem não te ligou no seu aniversário não te quer bem, mas, muitas vezes, quem te deu os melhores parabéns, pessoalmente, não se importa tanto com você. A vida nada mais é que uma imensa despensa de cozinha, e se, por um descuido, não passamos os produtos antigos para frente e os novos para trás, corremos o sério risco de perder a validade de algum deles. A dica é: conserve amigos velhos e bons, virtuais ou não.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Felicidade.


São Gonçalo, 19 de Outubro de 2012.

É difícil remar contra a maré. É difícil tomar decisões. É difícil amar sem ser amado. Ninguém disse que seria fácil. Colocaram-te aqui sem você pedir e ainda te falaram o tempo todo que você tem que segurar a onda. Mandam-te engolir o choro mesmo que não saibam o quanto dói. Dividiram o seu tempo em proporções que você não deve tentar entender, apenas aceite. Aceite que você vai trabalhar sua vida inteira para garantir uma aposentadoria e de repente já não estará mais aqui para aproveitá-la. Aceite que por mais que você trabalhe arduamente, sem puxar o saco de ninguém você não sai do zero a zero. Aceite que você juntará cada centavo para comprar uma casa e, mesmo assim, terá que pagar imposto ao governo pelo simples fato de tê-la. Vão te mandar aceitar, vão te mandar calar, vão te mandar não agir. A verdade é que sempre vai ter alguém para te mandar fazer alguma coisa. A verdade é que você não tem opção. A verdade é que a única coisa que você tem a fazer é ignorar essas verdades todas. A felicidade não é um momento, não é uma pessoa, nem uma sorte. A felicidade é uma simples escolha. E como eu gosto de escolhas simples, vou dificultar pra quê?

sábado, 11 de maio de 2013

Acordar o quê?


E o que é acordar poema afinal? É acordar com o canto dos pássaros, em meio a uma vasta área verde? Posso acordar poema no centro do caos urbano, com trilha sonora de buzinas de ônibus e vista para fios de rede elétrica. Posso acordar poema com o som do vizinho ouvindo um rap americano, na última altura. Para acordar poema, depende apenas do meu estado de espírito, depende se a noite anterior foi muito boa ou se o dia que se segue terá boas sensações. Depende, talvez, se eu tive um sonho bom pela noite ou um pensamento bom pela amanhã. Depende também de como eu levo a vida, se fujo dos problemas ou se os encaro de frente. Acordar poema não é como dormir bem ou dormir mal, é uma questão de escolha. E a minha escolha é acordar poema, todos os dias.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Doi sem saber





      Nunca pensei que fosse doer tanto, mas doi uma dor que não tem nome, uma dor que doi no fundo da alma, uma dor que quando não doi, sufoca. Sufoca lá dentro do peito, um coração apertado, chora. Um choro de uma criança que chora sem saber o porquê, um choro de um pai que chora sem saber o que fazer para o filho parar de chorar. E eu que nunca pensei que fosse doer, choro de dor, uma dor forte, uma dor que mata, uma dor que, ao mesmo tempo que é forte a ponto de matar, é uma dor que nos ensina a viver.



quinta-feira, 7 de março de 2013

9 ( por enquanto) leis do bar:



1- Sentou, sorriu, a conta dividiu.

2- Se só quiser pagar, exatamente, aquilo que consumiu, não esqueça dos 10% do garçom, afinal, foi ele quem fez a gentileza de trazer aquela sua Coca zero sem graça.

3- Quem sai antes deve arredondar sempre sua conta pra cima, o último a sair não pode ficar com esse prejuízo.

4- Não reclame do preço. Pela fachada, já podemos ter ideia do tipo de comércio que funciona ali, se não está satisfeito, levante-se e vá para o seu pé sujo preferido.

5- Seja gentil com o garçom, ele é um profissional como qualquer outro.

6- Seja cortês ao pedir a cortesia da casa, o garçom é um mero funcionário, provavelmente, ele não tem liberdade de dar nada sem a autorização de um superior.

7- Só beba com pessoas de confiança, a desculpa de que colocaram alguma coisa no seu copo já tá bem batida.

8- É legal ficar bêbado, mas, por gentileza, respeite a/o mulher/homem do próximo, principalmente, se ele estiver próximo.

9- E a última, e mais importante, depois que você bebe a única coisa que acontece é você ficar bêbado, ninguém fica rico ou vira piloto, portanto, se beber não dirija nem faça apostas mirabolantes, PLEASE!








segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Bem vindo, ano novo!

O ano começou, finalmente. Não temos mais a desculpa do Carnaval para adiar nossas decisões. Hora de sacudir o blog e pensar na proposta de 2013 para nós. Ainda não sei como começar por isso, vim só deixar minhas boas vibrações para todos vocês.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

As desculpas.

Pois é, apareci. Não abandonei o blog, mas tenho feito mil coisas e não tenho conseguido me inspirar devidamente. Mil desculpas, mas não conseguirei cumprir o combinado de postar em dias alternados. Sei que isso é muito ruim para a divulgação da página porém, não tem como ser diferente: trabalho, faculdade, fim de ano, tudo contribuindo para me desviar desse meu espaço. Prometo que sempre que puder estarei por aqui, e, para firmar esse compromisso, vou postar os convites que fiz hoje. Gostei bastante do resultado!



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Veta Dilma?

Será que eu quero mesmo que o Rio continue recebendo os mesmos bilhões dos royalties? O Cabral diz que sem o benefício, não tem Copa, nem Olimpíadas, mas o repasse dos royalties não são para compensar o meio da exploração? E o que a Copa e as Olimpíadas têm a ver com isso?

Pode ser ignorância minha, e posso estar correndo o risco de receber milhões de pedras no meu telhadinho de vidro e, mesmo sem entender, vou comprar essa briga. Eu não sei nada de política, nem nada (ou quase nada) de dinheiro público, só consigo analisar o que a mídia, parcialmente, me informa. 

Sei que nós moramos num país rico, que deixamos de receber royalties de muitas empresas que lucram com matéria prima retirada de nossas matas. Sei também que, de repente, um Rio mais pobrinho, seja um Rio menos roubadinho. Sei lá...É também uma forma de pensar, né?

Aterro do Flamengo. Acervo pessoal.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Por que namorar?

Namoro 

por Fubim


É fato. Textos românticos que começam com citação de dicionário são manjados, superficiais e mela cueca como o teclado de uma música do Bon Jovi.

Mas como eu tenho o mérito da ousadia, visto que dei um título desses a essas singelas linhas que tenho o prazer de ter seus olhos a segui-las, vejamos o que o Aurélio tem a dizer sobre “namoro”.


na.mo.ro

sm (der regressiva de namorar) 1 Ato de namorar. 2 Galanteio. 3 O namorado ou a namorada.

Certo. Realmente não foi a definição mais esclarecedora do mundo. Mas isso só me ajuda a tentar criar a minha versão sobre o que este título implica e significa na vida de uma pessoa.

Primeiro. Por que as pessoas namoram? Antigamente era claro. O namoro era simplesmente uma ante-sala para o casório. Aliás, nos tempos do meu e do seu bisavô o item número 2 da definição acima era de fato feito na sala, com a companhia vigilante da futura sogra em um sofá por perto.

Hoje, este objetivo ainda existe. Mas como algo distante, longe, deixado para pensar depois com uma conta bancária razoável ou a certeza que o matrimônio valha outra tentativa. A prioridade é ser feliz, e agora. Namora-se por que você simplesmente gosta de quem você escolheu depositar todo seu afeto.

Mas será que é tão simples assim?

Surge então uma inevitável pergunta: com a desobrigação do casamento em cada namoro e um vasto mundo de oportunidades para solteiros e solteiras se lambuzarem no mel da conquista, por que as pessoas ainda escolhem o doloroso risco de ter seu coração partido? Afinal, a vida em voo solo está aí, com todas as vantagens da liberdade de fazer e pegar quem bem entende.

O “affair” da revista Caras, o “ficante” da revista Capricho, o “fuck friend” da revista Nova só mostram o quão normal e corriqueiro o romance sem compromisso está. Uma fase de “curtir a vida” é bem vinda, e valorizada. Dá para viver muito bem saindo para onde quiser e sem número certo para boa parte dos nossos telefonemas.


Na teoria, é possível preencher toda nossa inerente carência por cafunés sob o cobertor e mensagens de texto lidas com um sorriso visitando tudo que nos apetece no cardápio. Satisfazendo-se com romances simples e apetitosos como um macarrão carbonara.

Na teoria. Pois na prática, quando chega a frechada do cupido ou o tiro acerta o Álvaro, entra em vigor um antigo ditado sertanejo: “cavalo selado não passa mai de uma veiz”. O recém contraído frio na barriga é acompanhado de um leve e intuitivo desespero, de algo que lhe diz que se você deixar esse potro passar vai ver embora com a poeira na estrada uma baita chance de ser feliz. Ou pelo menos viver assombrado com a dúvida do que seria um passeio a galope.

E esse imprevisível senso de urgência é o primeiro sintoma da paixão - a faísca que começa namoros. Coisa que depois, aos poucos, vai virando algo maior que nem eu, você, ou fogo que arde sem se ver consegue definir.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Solidariedade

Eu acho que os problemas que assolam nossa sociedade tem um só nome: a falta de solidariedade. E esse problema tem me incomodado muito, principalmente, quando preciso me locomover. É andando na calçada ou atravessando a rua, mas a bárbarie acontece mesmo quando eu resolvo utilizar o transporte coletivo. 

 As pessoas se acham donas do mundo ou o quê? Esses dias, entrei numa van e havia dois cavalheiros sentados na ponta e só uma vaga na janela, acredita que ninguém se mexeu na hora que entrei? Tive que, praticamente, passar por cima deles para sentar. 

Hoje, em um ônibus lotado, tentei ficar em lugar que não atrapalhasse muito a passagem e segurei a minha bolsa para não bater em ninguém, a bonita sentada na minha frente nem para se oferecer para segurar a minha bolsa, mesmo vendo que estava difícil me segurar e segurar a bolsa. Teve uma hora que me irritei e desci a bolsa de forma que quando as pessoas passavam, a bolsa batia na própria mulher sentada e digo mais: ela ficou bem irritada (rsrsrs). 

 Esses são apenas dois de muitos casos que já me ocorreram e, com certeza, ocorreram com muitas outras pessoas. Com um pouquinho de boa vontade, a nossa vida e a de toda a comunidade seria muito melhor. Eu nunca deixarei de pregar a minha máxima: Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. 


domingo, 11 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nota 10 em exemplo



Todas as vezes que falei de educação, de ser responsável por alguém, falei de dar o exemplo, de se colocar em sacrificio e não apenas de usar o velho "faça o que eu digo e não o que eu faço". 

Uma mãe denunciou uma irregularidade da própria filha. Não sabemos se a filha estivesse realmente tentando o ENEM para ingressar na faculdade, a atitude da mãe seria a mesma, mas não podemos desconsiderar todo o gasto envolvido em uma prova de Vestibular. Essa mãe não só desclassificou a própria filha do concurso, ela deixou sua filha ser punida de um erro, ela saiu da sua zona de conforto e denunciou essa prova que já provou, por tantas vezes, que não tem segurança nenhuma e, ainda assim, continua sendo o principal método para os alunos ingressarem na faculdade pública. Com certeza, ela, metaforicamente, deu tapa na cara de muita gente. 


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sobre desamigos...

E não será muito incomum a minha indiferença com alguém no primeiro contato. Inimigos dos meus amigos, meus inimigos são. Os amores passam, a vida passa, só os verdeiros amigos ficam. E quem são os verdadeiros amigos? 

Andei me perguntando a quantas pessoas não fui legal porque o amigo do amigo me disse que não prestava. Qual o parâmetro que define quem presta ou não? Será que é demais dar um segunda chance à alguém que nunca teve direito nem a primeira? Pagar para ver ou ignorar de cara? A segunda opção é mais fácil, mas será que também não estamos nos impedindo? Não estamos nos limitando a viver somente experiências seguras? E o que é seguro quando se trata de seres bipolares, temperamentais, sentimentais e...HUMANOS?


Será que não perdemos oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas pelo simples medo de tentar? Será que não deixamos de casar com o galinha da turma para não magoar o coração? Será que não desfizemos laços familiares apenas pelo rancor herdado de nossos pais?

A vida pode durar uma década ou um século, nós não conseguimos controlar isso, mas podemos, a todo momento, nos livrar dos paradigmas criados por nós mesmos. Os "nunca's" devem ser transformados em "talvez" ou em um "quem sabe". Afinal, quem sabe o dia de amanhã?

Mais vale aqui é construir, e não destruir. Fazer amigos, relembrar amigos e desfazer inimigos são dicas valiosas. Os laços devem ser renovados sempre, com um presente ou uma presença, de preferência.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Porque nenhuma alegria é isenta de pesares.

Onde fui amarrar meu burrinho?

Por Christina

Desde criança sempre quis ser mãe. Sempre achei lindo mulher grávida, enorme, barriguda, andando feito pato de pernas abertas. Sempre achei que ser mãe era meu (único?) dom na vida. Na adolescência me vi um tiquinho mais egoísta "filho? tá doido? não suporto criança chorando!", mas logo a vida voltou ao normal e numa discussão com um (ex) namorado, cheguei a conclusão de que esse é o único propósito da vida do ser humano: procriar, parir, encher o mundo de herdeiro.
Abre parênteses:
Não, não acho que gerar e parir uma criança seja mais importante do que criar uma criança. Tiro meu chapéu para os pais adotivos que criam seus filhos muitíssimo bem. Muitos pais biológicos não chegam aos pés de certos pais adotivos. Mas a questão aqui é que sempre fui louca pra ter aquele barrigão gigante e andar feito uma pata.
Fecha parênteses.
O tempo passa, o tempo voa, o namorado muda, a pessoa muda de país e volta a ser estudante aos 28 anos. Relógio biológico já em funcionamento. Namorado gringo, diferenças culturais gritantes, que tempinho bunda esse da Inglaterra, vamos morar juntos, vamos pra uma casa melhor.
O plano era casar, comprar casa, ter filho, nesta ordem. Tinha o sonho de ganhar na loteria, mas não depende da gente. Na vida real, o que aconteceu foi que engravidei, depois casei mega barriguda (tipo um mês antes de parir), ao mesmo tempo que compramos a casa. A mudança foi feita entre o parto e o pós-parto. Lindo, tudo lindo. Gravidez maravilhosa, a barriga cresceu no último mês e ficou enoooorme, o cabelo ficou brilhoso, o humor nunca esteve tão bom, dormia o final de semana inteiro, conseguia dormir de bruços (isso, de barriga pra baixo, como eu gosto!), a vida era a linda e eu amei aquele estado - cheguei a dizer pros gays (todos tão lindos) lá do trabalho que topava ser barriga de aluguel, de tanto que amei estar grávida. Amei o parto também, apesar dos pesares. Saí querendo mais.
Mas depois da gravidez fantástica, do parto legal, o que acontece? Cadê a barriga redonda e linda? Cadê os paparicos? Cadê os finais de semana de sono profundo? Ninguem me preparou para o que estava por vir. Parir foi mole - dói sim, mas foi ótimo; amamentar foi divino - é difícil sim, mas uma experiência única; mas ter um serzinho dependente de você, que não curte dormir como você curte, que não vem com manual de instruções e que não tem botão liga-desliga (como assim, produção?!?!).
E quando você nao tem família perto pra dar uma força, pra segurar a onda por duas horinhas enquanto você dorme? E quando a família vem de longe e fica hospedada na sua casa, 24 horas por dia, 7 dias na semana (7 não, 14, às vezes 30!)? E quando a família que vem para o nascimento e as primeiras semanas de vida da sua filha não é a sua, não fala a sua língua e quer dar o primeiro banho (e todos os subsequentes), trocar as fraldas, etc? E quando - prestem muita atenção agora - seus hormônios, que foram tão legais com você durante a gravidez, te sacaneiam feio no pós-parto e você acaba em depressão e tomando anti-depressivo?
Resumo da ópera: ser mãe não é o mar de rosas que eu sonhava que seria - é, de longe, uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida, mais imprevisíveis, mais cansativas e emocionalmente desgastantes. Já passei por muitas coisas na vida mas essa é a que mais me sugou, me consumiu. Educar uma criança é tarefa muito séria e complexa. Vai ficando mais e mais difícil. Tem todas as doenças, os dentes que nascem e trazem diarréia, febre e muita dor juntos, a fase dos terrible twos (que pode durar até 3 anos), a descoberta e o vício do chocolate, e por aí vai. E olha que não sou nem uma expert no assunto; só tenho uma filha e ela só tem 2 anos.
Estou arrependida? Está maluca?! Nunca! Faria tudo de novo, mil vezes. Minha filha é linda demais, gostosa demais, feliz demais. Olho pra ela e tenho a certeza de que sou uma ótima mae: ela é saudável, faladeira, esperta, feliz - tão feliz. O trabalho compensa. Posso estar exausta, mal humorada, com raiva do mundo, mas toda santa noite, pelo menos uma vez, vou no quarto dela admirá-la no sono, beijar o pezinho descoberto, cheirar a cabecinha, olhar cada detalhe do rostinho bochechudo dela.
Mas (sempre tem um "mas", né?), se antes eu achava que eram doidos os casais que optavam por não ter filhos, hoje em dia entendo perfeitamente a opção, e apóio a decisão.
Acho que, às vezes, eu queria era ter um clone - um com filho e outro sem. Pra viver o melhor dos dois mundos.

Christina é mãe de uma, queria ter quatro filhos mas agora não sabe se terá mais que dois. Nas horas vagas, também é esposa, trabalha expediente integral, é escrava do lar e escreve bobagens em inglês aqui e em português aqui.

Fonte: http://minhamaequedisse.com/

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lembranças de um samba

Então, eu coloquei um trechinho desse hino no Face e, ao colocar, me lembrei de uma noite dessas, quando a saideira começou às cinco horas da manhã, e num botequim qualquer, rolou aquele samba na caixinha de fósforo e no que eu disse "Vamos cantar samba-enredo", o vizinho de mesa já começou "Valeu, Zumbi..." Fiquei pensando que tem sambas que são tão bons que nem parecem que nasceram de um simples enredo carnavalesco.

E as lembranças são mesmo coisas tão boas que depois de ter atualizado o status no Facebook, algumas colegas de escola se manifestaram lembrando de momentos daquela época.

A saudade é uma dor da lembrança, de uma lembrança que não dói porque passou, mas dói porque não volta mais.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Família ê

às 00:16

"Preciso de um tempo para me dedicar a um futuro que não é meu e do meu futuro para amar uma vida que não é a minha." ( QUALQUER, Uma mãe)

Esses dias vi na rua um casal que era a cara da modernidade. Um homem que aparentava ter menos de 40 anos, de camisa de malha, calça jeans, tênis, e uma bolsa de bebê à tiracolo. Normal, né? Sim, se ele não estivesse levando um carrinho de bebê com uma menina linda dentro e, para a minha surpresa, ao lado dessa cena uma senhora, com a mesma idade do homem, vestida de maneira social. Como sou bem fuxiqueira (Desculpa, gente!), pude perceber que ali havia uma família, uma família diferente, mas uma família completa, pai, mãe e filha.

Num mundo onde o casamento é uma simples celebração luxuosa, há de se admirar casais que se sustentam por décadas. E é nesse mesmo mundo de filhos com pais separados é que reinam os preconceitos sobre adoção de homossexuais. Dá para entender tamanha hipocrisia?  Eu até tento, mas hoje não vou desenvolver, vim apenas para criar a polêmica. 

Tenham uma boa semana!


Super mãe e executiva de sucesso é possível?
Foto retirada do Google Imagens


domingo, 28 de outubro de 2012

Sobre ter fé...



Depois dos últimos acontecimentos, seria conveniente que eu viesse escrever sobre perdas, talvez até sobre derrotas e vitórias, mas eu achei pertinente falar sobre FÉ. Não uma fé que discute essa ou aquela religião, não uma fé que adora um ou alguns deuses, eu venho falar da fé que tira o homem da cama às cinco horas da manhã, de uma fé que faz a mãe deixar os filhos com desconhecidos e pegar um ônibus lotado. É uma fé que paga o leite do café da manhã, que almeja um automóvel com ar condicionado, que sonha com uma apartamento de dois quartos. É a fé de uma Nação que não se cansa. É a fé do brasileiro, que apesar de menosprezada, muitas vezes, é, para mim, a prova de que sem fé não se consegue nada. E, como prova viva disso, eu tenho a minha fé.

Conquistar um dia de cada vez, não é fácil, é preciso disciplina, foco e superação. É preciso passar por cima das humilhações, é preciso engolir que você não faz nada no trabalho, é preciso não temer a maldade alheia. E é por conta da minha coragem, da minha determinação, da minha disciplina e, principalmente, da minha FÉ, que eu não me canso. Com paciência e sabedoria, um dia após o outro. Os sonhos continuarão ali na caixinha, sempre preparados para serem reais. O meu espelho quer me ver sorrindo todos os dias. Toda adversidade tem uma felicidade, não importa o quão ruim ela seja. Afinal, ninguém disse que seria fácil. 


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Que Vossa Mercê entenda bem...


“A arte não precisa de estética perfeita ou gramática correta, a arte tem que ter alma. A cultura não tem que ter perfeição até porque este ideal está nos olhos de quem vê.”

É com esse trecho do texto do Ricardo Barbieri que eu estendo a discursão dele e dou início a minha. E não venho discutir o que é certou ou errado, afinal, se vivemos num “país democrático” onde a maioria escolhe até o representante da Nação,  porque achamos que nós, uma minoria, só porque dominamos alguns conhecimentos gramaticais, estamos certos? Quem disse isso? Uns gramáticos dispostos a elitizar o nosso bom Português? Eles também são uma pequenina minoria.

Se você não for um advogadozinho metido a doutor só porque acabou de passar na OAB, com certeza, eu nunca vou achar engraçado se você, de repente, escrever “criança” com dois “esses”. Eu vou entender que ou você não estudou numa escola de prestígio ou que você nunca se interessou por aprender as regras da nossa Língua. Embora eu defenda que o estudo de Língua Portuguesa deveria ser obrigatório em todos os cursos de Ensino Superior, quem sou eu para dizer se a forma de se expressar de um grupo é válida ou não?
Ninguém nasce falando Português, aprende a estrutura básica logo que aprende as primeiras palavras. “Qué dedeira” nada mais é do que a nossa construção convencional de sujeito oculto + predicado (verbo + objeto direto).  Assim, o bebê tem sua solicitação atendida sem nem saber falar Português, como dizem por aí. Da mesma forma, o marido desempregado escreve um bilhete para sua esposa “Cabo meu dinheiro vamu economiza no lanxin das crianssa”; E não muito diferente desses exemplos, mas num caso bem mais próximo de mim, meu pai e meu avô que falam “bicicreta”, “Framengo” e “Craro”, e, para descontruir os preconceitos, meu pai nem flamenguista é. Nesses casos, o problema é na própria fala, o nome que damos a esse tipo de fenômeno é o Rotacismo, quando as pessoas trocam o “r” pelo “l” ou vice-versa. Pode ser que haja, sim, um pouquinho de preguiça do povo, mas não cabe a nós discutir essa ou aquela razão, afinal, com prestígio ou não, eles são maioria. É aquela velha história de “ele é grande, mas não é dois”. A quantidade, nesse caso, vence. 

Nossa Língua é objeto de uso e estudo constante por isso, muda sem que a gente perceba. Quem nunca se pegou escrevendo “q” no lugar de “que” ou “vc” ao invés de “você”? Aí, você vai me dizer que é para facilitar na hora do bate-papo na internet, e eu vou te dizer que o princípio dos falantes do uso informal do Português é exatamente esse, simplificar, retirar os excessos. Ou você acha que o termo “Vossa Mercê” usado antigamente virou “você” como? Nossa Língua nada mais é que uma bela arte flexível a mudanças. Amém! ;]